REFLEXÕES SOBRE O CONCEITO DE METÁFORA DE PAUL RICŒUR E A NOÇÃO DE EUFORIA DA TRADUÇÃO

Mariana Cristine Hilgert

Resumo


Diversos enunciados metafóricos sobre a tradução atestam a dificuldade e até mesmo a impossibilidade da atividade tradutória, bem como o sentimento recorrente de melancolia do tradutor em relação a seu ofício. Essa percepção, exprimida de forma breve pelo teórico Antoine Berman na obra A tradução e a letra, ou O albergue do longínquo (2007), nos conduziu ao trabalho La traduction em citations (A tradução em citações, 2007, tradução nossa), do pesquisador canadense Jean Delisle, que traz aforismos, citações e comentários de pensadores, escritores, tradutores sobre o ato tradutório. Muitas destas metáforas atestam o que aqui chamaremos de disforia da tradução, aludindo a um termo da psicanálise relacionado a um estado de inquietude e depressão. Buscando um caminho que leve a tradução numa direção oposta, isto é, a um estado de euforia, nos voltamos à metáfora. A partir de uma analogia estrutural, analisamos, assim, as funções heurística e de inovação semântica atribuídas pelo filósofo francês Paul Ricœur à metáfora e as aplicamos, analogicamente, à tradução. Nosso objetivo é, a partir dessa interface com a metáfora, ressaltar potencialidades inerentes ao ato de traduzir que permitam falar de uma euforia da tradução.

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