Manoel Bonfim: "ensaiando" a mestiçagem em América Latina

Michele Nascimento Kettner

Resumo


RESUMO

No século XIX quando estavam em voga as teorias positivistas e darwinistas sobre raça e determinismo geográfico, o ensaísta sergipano Manoel Bomfim proporcionou em sua obra América Latina: Males de Origem (1905) uma revisão historiográfica que refutava a idéia de inferioridade das raças. Utilizando a teoria de “hibridismo conceitual” de Marisol de La Cadena, este trabalho pretende demonstrar o pioneirismo de Bomfim na análise sociológica sobre a mestiçagem latino-americana. Bomfim denuncia que a idéia de superioridade das nações é uma teoria pseudo-científica criada pelos “países superiores” para dominar os “países inferiores.” Desta forma, Manoel Bomfim descarta a mestiçagem de caráter degenerativo e estabelece uma perspectiva sociológica usando a metáfora do conceito do parasitismo social para explicar os problemas latinoamericanos. O trabalho também pretende conjeturar por que Manoel Bomfim ficou na obscuridade analisando seu discurso mestiço (Süssekind) que aplicava termos do biologismo que ele mesmo criticava.

PALAVRAS-CHAVE: Manoel Bomfim. Hibridismo. América Latina. Positivismo. Racismo. Mestiçagem.

ABSTRACT

When Darwinian and positivist theories on race and geographic determinism prevailed in the nineteenth century, the Brazilian essayist Manoel Bomfim published América Latina: Males de Origem (1905), a historiographical work refuting the idea of inferiority of races. Using Marisol de la Cadena’s theory of “conceptual hybridity”, this paper will discuss the originality of Bomfim’s sociological ideas on Latin American mestizaje. Bomfim considered the positivist idea of “superiority of nations” as a pseudoscientific theory created by the “developed countries” to dominate “undeveloped countries”. Thus, Manoel Bomfim rejects the degenerative idea of mestizaje and establishes a sociological perspective using the metaphor of parasitism to explain the social problems of Latin America. The work also intends offer answers on why Manoel Bomfim’s work fell into obscurity by its use of the very same biological metaphors he tried to refute.

KEYWORDS: Manoel Bomfim. Hybridity. América Latina. Positivism. Racism. Mestizage.

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