Um espaço dos Trópicos: a busca da sobrevivência

J.W. Bautista Vidal

Resumo


RESUMO
Procura mostrar a pujança dos trópicos, especialmente nos campos da produção de alimentos e da energia renovável por meio da biomassa. Com o acirramento da crise energética mundial, prevista para os próximos dois anos, e a falta de alternativas para as regiões temperadas e frias do planeta, os trópicos passarão a ter valor estratégico acrescido, o que envolve revisão da conceituação política de território nestas regiões. Também enfatiza a natureza perversa do “modelo” do crescimento econômico adotado no Brasil desde a segunda metade da década dos 50, que desconsidera esses potenciais, ficando dependentes das soluções dos países centrais. Este “modelo” operacionaliza o neocolonialismo, mais esterilizante e dominador do que o mercantilismo colonial do século XIX. Com o predomínio dos países do bloco anglo-saxão desde o começo do século XVIII, perdeu a América Ibérica o controle da sua autonomia econômica; ao não conduzir o seu próprio destino dentro da base humanística que caracteriza a sua cultura, herdada dos países ibéricos, este continente passou a ser objeto dos interessas hegemônicos da Inglaterra primeiro e dos EUA, depois. A perda da sua identidade cultural, com forte componente espiritual, substituído por um racionalismo pragmático que serve aos centros do poder, conjugada à dependência tecnológica deformadora, têm impedido a dinâmica de construção de uma civilização solidaria dos trópicos, de caráter permanente.

ABSTRACT
Space of the Tropics: the search of the survival. v. 17, n. 1, p. 7-16, jan./jun. 1989.
It shows the potency of the Tropics, specially in the area of food production and renewable energy by the biomass. The recrudescence of the world energetic crisis forseen for the next two years, and considering the lack of alternatives for the temperate and cold regions of the planet, strengthens the strategic value of the Tropics, connected to a review of the political concept of territory in these regions. It also emphasizes the contrary nature of the “model” of economic development adopted in Brazil since the second half of the decade of the fifties, which denies those potencials, depending on the solutions of the developed countries. This “model” performs the neo-colonialism, which is more sterilizing and dominator than the colonial mercantilism of the XIXth century. The Iberian America has lost the control of its econornic authonomy, since the beginning of the XVIIIth century, because of the prevalence of the Anglo-Saxon set of countries. This continent not leading its own destiny based on humanistic bases, fact that characterizes its own culture, at the same time a characteristic of the Iberian countries, became an object of the hegemonic interests of England at first and United States afterwards. The loss of its cultural identity, with a strong spiritual component, replaced by a pragmatic racionalism which works for the powerful countries, added to the deformative technological dependance, has avoided the dynamics of constructing a solidary civilization of the Tropics, of permanent character.

RÉSUMÉ
Un espace des tropiques: la recherche de la survie. v. 17, n. 1, p. 7-16, jan./jun. 1989.
Description du potentiel des tropiques, particulièrement en ce qui concerne la production d’aliments et d’energie renouvelable au moyen de la biomasse. La recrudescence de la crise énergétique mondiale prévue pour les deux prochaines années et le manque d’alternatives pour les régions tempérées et froides de notre planète, renforcent la valeur stratégique des tropiques, ce qui donne lieu à une révision de la politique du territoire de ces régions. La nature contraire du “modèle” de croissance économique adopté au Brésil, à partir de la seconde moitié de la décennie de 1950, qui méconnait ces potentiels qui sont sous la dépendance des solutions de pays plus développés, est mise en relief. Ce “modèle” assure le fonctionnement du néocolonialisme qui est plus stérile et dominant que le mercantilisme colonial du XIX siècle. La prédominance des pays du bloc anglo-saxon dès le début du XVIII siècle a privé l’Amérique Ibérique du contrôle de son autonomie économique. Son propre futur s’écartant de la base humaniste qui caractérise sa culture héritée des pays ibériques, a placé ce continent sous la mire des intérêts hégémoniques, d’abord de l’Angleterre et ensuite des Etats-Unis. De ce fait, la perte de l’identité culturelle dont le fort composant spirituel a été remplacé par le rationalisme pragmatique qui sert aux centres du pouvoir, associée à la dépendance technologique déformatrice, a empêché la dynamique de la construction d’une civilisation solidaire des tropiques de caractère permanent.

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