Antropologia urbana

Celina Ribeiro Hutzler

Resumo


RESUMO
Análise das possibilidades de aplicação dos métodos antropológicos e suas técnicas na apreensão da realidade urbana. Consistem os métodos na tentativa de conhecer mais através dos sentidos do que de mensurações. A visão transcultural da antropologia., bem como sua preocupação com as regularidades e generalizações da cultura e o enfoque histórico, certamente lhe darão excelentes condições para entender os problemas urbanos de uma maneira global. As agências de desenvolvimento, quase sempre dominadas por economistas, pouco têm ouvido o antropólogo, e sua participação nesses programas é solicitada mais na demografia, sociologia, economia, do que na sua especialização. Além disso, a análise por essas agências das chamadas “condições sociais”, geralmente limita o conceito de desenvolvimento à evolução do sistema econômico, onde esse planejamento induzido em modelos predeterminados e impostos, provocam uma violação cultural. Sua contribuição é necessária para se conseguir um planejamento humanizado e talvez esteja mais habilitado do que qualquer cientista social para a intervenção na realidade urbana. A posição do Recife em relação ao seu meio ambiente físico e cultural é de desequilíbrio, o que só poderá ser detido se esse equilíbrio for restabelecido. Nota-se o desequilíbrio do Recife, em relação ao seu meio físico e cultural, em nível do sistema produtivo, onde as indústrias instaladas utilizam uma tecnologia não condizente com a Região. Em nível do sistema urbano, com a concentração na metrópole dos serviços administrativos, educacionais, aumentam os problemas urbanos, dificultando a dinamização de outros pólos sub-regionais. Em relação ao sistema cultural, o Recife representa o porto de penetração da cultura desenvolvida em outros locais. A velocidade com que as importações culturais são trazidas, não dá margem a que ocorra uma aculturação e as substituições dos produtos artesanais, por exemplo, por manufaturados, desocupam e desorganizam pessoas e grupos, enfraquecendo a economia das pequenas cidades e contribuindo para o agravamento dos problemas sociais.

ABSTRACT
Urban anthropology. v. 4, n. 2, p. 159-176, jul./dez. 1976.
Analysis of possibilities of application of anthropological methods and its technics in the apprehension of urban reality. The methods consist in attempt to knowing more through the senses than measurements. The transcultural sight of anthropology as well as its worry with regularities and generalizations of the culture and the historical way of giving emphasis, certainly they will give excelent conditions to understand the urban problems in a global manner. The agencies of development, almost always controlled by economists, have not listened to the anthropologist, which participation in these programs is solicited more in demography, sociology, economics than in its specialization. Besides that, the analysis of the so called “social conditions”, made by those agencies, generally limitates the development concept to the evolution of economical system, where that program induced in predetermined and imposed models, causes a cultural violation. His contribution is necessary to get a human program and perhaps he will be more skilled than other social scientist to interfere in urban reality. It is noticed the unbalancement of Recife, in relation to the physical and cultural environment, on level with productive system, where the industries established, utilize a technology not compatible to the region. On level with urban system, with the concentration in the capital of the administrative educational services, the urban problems, increase, making difficult the dynamization of other subregional poles. In relation to the cultural system, Recife represents the harbour of culture penetration developed in other places. The velocity with which the cultural importation are brought, doesn’t give opportunity to exist acculturation and the substitution of artesian products, for example, by manufactured, let people and groups desorganized and dismissed, weakening the economics of small cities and contributing for the social problems aggravation.

RESUMÉ
Anthropologie urbaine. v. 4, n. 2, p. 159-176, jul./dez. 1976.
Analyse des possibilités de mettre en oeuvre des méthodes anthropologiques et ses techniques dans l’apréhension de la réalité urbaine. Ces méthodes consistent dans la tentative de connaître mieux à travers les sens qu’à travers les mesures. La vision transculturelle de l’anthropologie, bien comme son soucis des régularités et généralisations de la culture et l’optique historique, lui donneront certainement d ´excellentes conditions pour comprendre les problèmes urbains d’une façon globale. Les agences de développement, presque toujours dirigées par des économistes, ont peu écouté l’anthropologue, et sa participation dans ces programmes est dans les domaines de la démographie, sociologie, économie, que dans sa propre spécialisation. D’ailleurs l’analyse, par ces agences, des “conditions sociales”, limite généralement le concept de développement à l’évolution du système économique où ce projet induit à des modeles predeterminés et imposés, et provoquent une violation culturelle. Sa contribution est nécessaire pour l’obtention d’une planification humanisée et peut-être est-il plus apte que n’importe quel autre scientiste social à intervenir dans la réalité urbaine. On observe le déséquilibre de Recife, par rapport l’environnement physique et culturel, au niveau du système productif où les industries installées utilisent une technologie contradictoire pour la région. Au niveau du système urbain, avec la concentration dans la métropole des services administratifs, d’éducation, augmentent les problèmes urbains, difficultant un dévéloppement plus dynamique d’autres poles sous-régionaux. En relation au système culturel, Recife représente le port de pénétration de la culture développée en d’autres régions. La rapidité avec laquelle les importations culturelles soit apportées, ne donne pas marge à ce qu’advienne une acculturation et les substitutions des produits artisanaux par exemple, par des produits manufacturés désoccupent et désorganisent personnes et groupes, affaiblissant l’économie des petites villes et rend plus grave les problèmes sociaux.

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